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domingo, 17 de janeiro de 2010

ATIVISMO 1

Este é o primeiro de uma série de artigos que pretendemos publicar acerca de um tema bastante frequente nos mais variados estudos e discussões sobre a contemporaneidade, a qualidade de vida vem se tornando um alvo bastante perseguido pela maioria das pessoas.
Mas será que qualidade de vida é algo meramente físico? Não seria uma situação que demanda ações intelectuais e do espírito?
Parei para pensar sobre isso, a partir do momento em que alguns projetos nos quais estou envolvido começaram a parecer inviáveis ou, pelo menos, merecedores de uma avaliação sobre o que estaríamos fazendo, considerando que um desses trabalhos é desenvolvido por uma equipe.
Não raro, em nosso meio cristão, as pessoas atribuem os obstáculos à ação diabólica, à falta de oração e uma série de outras “justificativas espirituais” que, não raro, utilizamos como explicações para erros que cometemos com muita frequência. Entre esses erros, gostaria de ressaltar um que tem atingido grande parcela de nossas igrejas: o ativismo.
Inicialmente, vale aclarar que o ativismo que estou abordando neste artigo, não consiste da defesa de uma causa específica ou atuação intensa em determinado setor da vida social. Trata-se da promoção exagerada de atividades na igreja, um fluxo intenso de eventos que traz sérias consequências para a espiritualidade e para o cotidiano dos crentes.
São inúmeros congressos, seminários, aniversários, reuniões, trabalhos de evangelismo, ensaios e cursos, que somados aos cultos semanais, às reuniões de oração e à escola dominical, consomem boa parte do tempo, do vigor e por que não dizer, da liberdade e da paciência dos fiéis, quase sempre produzindo um efeito diverso daquele para o qual cada programação foi elaborada. Muitas vezes, participamos dos eventos, mas não cultuamos ao Senhor, não adoramos a Deus, não aproveitamos sequer, a metade do que poderíamos. Contudo, continuamos correndo de um lado para o outro, num malabarismo sem fim, tentando equilibrar a multiplicidade de coisas que “precisamos” (será?) fazer.
Reproduzimos em nossas igrejas o azáfama no qual vive a sociedade pós-moderna em sua velocidade crescente, que favorece a efemeridade dos valores e conceitos, o cansaço e a superficialidade. A revolução da informática, o desenvolvimento crescente dos meios de comunicação e de transporte, provocaram um fenômeno que se pode chamar de compressão espaço-tempo, isto é, alcançamos lugares cada vez mais distantes em um tempo cada vez menor. Assim, o fluxo de informações que nos alcança é tão intenso, que não conseguimos absorvê-las em sua totalidade e não nos permitimos aprofundar quaisquer assuntos que tomamos conhecimento.
O ativismo é uma realidade tangível e de sérias consequências para a qualidade de vida da igreja, urgindo que se examine a ideia de que “a obra não pode parar”, pois tem tomado uma conotação de “cascata de eventos” em lugar de apresentar-se como desenvolvimento espiritual contínuo.
Esta é a análise que pretendemos desenvolver nos próximos artigos e que esperamos, possa contribuir para uma vida mais saudável espiritual e fisicamente para o povo de Deus.

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