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domingo, 11 de julho de 2010

QUATRO ESTÁGIOS IMPORTANTES - 1ª Etapa


No texto que está em 2 Rs 2.1-14, que orienta esta série de quatro reflexões, encontramos estágios de uma jornada que partia de Gilgal, rumava para Betel, Jericó e, finalmente, cruzava o rio Jordão.
Naquele tempo, Elias estava para ser levado ao céu e Eliseu estava prestes a receber porção dobrada do Espírito Santo e esses dois homens, viajavam por um caminho que ligava esses quatro locais: Gilgal, Betel, Jericó e o Jordão.
Os aspectos físicos e geográficos desses locais podem nos ensinar uma lição muito importante: se quisermos ser levados ao céu como Elias ou receber o Espírito Santo como Eliseu, teremos que percorrer esses quatro lugares, que representam quatro estágios da vida.

I- COMEÇANDO POR GILGAL

Gilgal é o nosso ponto de partida. Se queremos interpretar de forma correta o sentido de Gilgal em nossa vida, precisamos primeiro compreender onde surge esse lugar nas Escrituras. Observemos o texto que está em Js 5.2-9.
No versículo 9, descobrimos que o nome Gilgal significa “removido”. A geração dos filhos de Israel que havia saído do Egito foi toda circuncidada, mas aqueles que nasceram depois, no deserto, não havia passado pelo rito da circuncisão.
É importante lembrar que, conforme o relato de Gênesis 17, Deus fez uma aliança com Abrão e troca seu nome para Abraão. Nos vv. 9-14 daquele capítulo, vemos o Senhor Deus estabelecendo o rito da circuncisão para todo menino nascido na casa de Abraão ou comprado, como sinal da aliança entre Ele, Abraão e seus descendentes.
Agora, tornando ao texto do livro de Josué, quando aquela geração estava entrando em Canaã, a terra prometida, a velha carne deveria ser removida.
Isto significa, que tudo o que restava de herança espiritual do Egito deveria ser jogado fora ou ser removido, para que os filhos de Israel pudessem ter a chance de desfrutar uma nova vida.. Em Cl 2.11, a Palavra nos revela que o significado da circuncisão é “despojamento do corpo da carne”.
“Nele também vocês foram circuncidados, não com uma circuncisão feita por mãos humanas, mas com a circuncisão feita por Cristo, que é o despojar do corpo da carne.”
Muitas pessoas supõem que a vitória sobre o pecado é a marca da perfeição, mas não sabem que é a carne quem peca. Assim, Gilgal em nossa vida, representa tratar com a carne, significa remover aquilo que provém da carne.
De acordo com as Escrituras, a carne é condenada por Deus. E é importante entender que não estamos falando do corpo físico, mas da natureza carnal que temos.
Essa é a nossa natureza ao nascer. E foi exatamente isso que Jesus quis dizer ao afirmar para Nicodemos: “O que é nascido da carne é carne” (Jo 3.6).
Tudo o que temos ao nascer, provém da carne, e isso não inclui apenas pecado, imundície e corrupção. Mas também encontramos nos seres humanos bondade, habilidades, zelo, sabedoria e poder naturais. E é exatamente aí que reside o problema: somos tentados a confiar em nossos sentimentos, nossas habilidades, nossa sabedoria e poder naturais e isso torna-se o grande empecilho para nosso progresso na vida e na obra do Senhor.
“Sei que nada de bom habita em mim, isto é, em minha carne. Porque tenho o desejo de fazer o que é bom, mas não consigo realiza-lo. Pois o que faço não é o bem que desejo, mas o mal que não quero fazer, esse eu continuo fazendo.” (Rm 7.18,19)
“Quem vive segundo a carne tem a mente voltada para o que a carne deseja; mas quem vive de acordo com o Espírito, tem a mente voltada para o que o Espírito deseja. A mentalidade da carne é morte, mas a mentalidade do Espírito é vida e paz; a mentalidade da carne é inimiga de Deus porque não se submete à Lei de Deus, nem pode faze-lo. Quem é dominado pela carne não pode agradar a Deus.” (Rm 8. 5-8)

A convocação de Deus para nós é negar a própria carne. E isto significa não abrir mão apenas de nossos pecados , mas de nossas habilidades, de nosso zelo, sabedoria e poder humanos para viver segundo os dons, a sabedoria, a bondade, o amor e o poder do Senhor.
Pelo critério divino, precisamos negar, fazer morrer e permitir que passe pelo julgamento tudo o que consideramos bom de acordo com a carne e tudo o que planejamos e organizamos pela carne. Deus não precisa, não quer e não valoriza a ajuda da carne, nem na vida nem na obra espirituais.
No tempo de Josué, Gilgal, que foi o primeiro acampamento do povo de Israel, era exatamente o lugar onde a carne foi despojada e julgada.
Para nós, Gilgal simboliza o primeiro passo para uma vida espiritual produtiva e que conduz ao céu. O lugar onde devemos julgar e mortificar a carne por meio do entendimento que o Senhor nos concede. Logo precisamos ser circuncidados no coração. E que circuncisão é esta feita no coração? Podemos encontrar essa resposta em Gl 5.16: "Andai no Espírito e não cumprireis a concupiscência da carne."
Quem nunca partiu de Gilgal, nunca deu um início real à jornada espiritual.
Esses podem ser zelosos nas boas obras, podem construir grandes templos, podem até sentir alegria por terem executado tais realizações, mas não compreendem a verdadeira vida espiritual. Geralmente, ou falta-lhes uma real conversão ou são soberbos, prepotentes, acreditam-se mais espirituais que os outros e vivem criticando as pessoas a sua volta. Acreditam que o Evangelho resume-se àquilo que conhecem.
Na próxima postagem partiremos para Betel, a segunda etapa dessa jornada.


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