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quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Compromisso com os Propósitos do Reino de Deus

Acredito que, diante do contexto espiritual e social que vivenciamos na contemporaneidade, é fundamental que a igreja preocupe-se em discutir a questão do Reino de Deus e nosso comprometimento com ele.
O Reino de Deus é um conceito que exprime o domínio do Senhor sobre a vida de todo aquele que tomou a decisão de seguí-Lo e servi-Lo. E este é um Reino espiritual e eterno, pois inicia aqui, no coração de cada crente fiel e, no futuro, será vivido em toda a sua plenitude.
Entendo que quando o Reino verdadeiramente se estabelece na vida do homem, duas de suas principais características passam a ser plenamente visíveis: a transformação (2 Co 5.17) e a frutificação (Jo 15.1,2). Assim, não basta receber o Reino, mas deve-se estar comprometido com o Senhor do Reino e isto implica em firmar um pacto, uma aliança com Aquele que nos chamou para participar deste reinado de paz, justiça e amor. Consiste numa aliança que nos exige assumir o padrão do Senhor. E padrão fala de modelo, trata de nos conformarmos ao que Ele estabelece em Sua Palavra. Como Paulo recomendou em sua carta aos Romanos, no cap. 12, v. 1:

“Rogo-vos pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos como um sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. E não vos conformeis a este mundo, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus.”

Podemos perceber que não só a entrada mas, sobretudo, a permanência no Reino de Deus, exige de cada um de nós uma transformação profunda e permanente. Logo, precisamos refletir sobre nosso compromisso com a ética do Reino e isto implica na adoção e comprometimento com novos princípios.
É impossível viver o e no Reino, se não decidirmos e assumirmos a Verdade como diretriz para nossas ações, se não pautarmos nossas atitudes pela Palavra de Deus, se não nos crucificar-nos todos os dias, fazendo morrer o “eu” e permitindo que Cristo viva em nós. Não dá para viver a proposta ética do reino deste mundo, com seus enganos, com seus prazeres efêmeros e fatais, com sua frágil construção moral, e ao mesmo tempo, estar em verdade, desfrutar da alegria, da paz, da segurança espiritual que a retidão ética e moral proposta e requerida pelo Reino de Deus.

COMPROMISSO COM OS PROPÓSITOS DO REINO

Parece-me lógico, falar de propósitos porque não haveria sentido estarmos aqui falando em compromisso, em transformação e tantas outras coisas, se não houvesse um propósito, um objetivo. E seria muito pequeno ou ainda, muito soberbo, acreditar que esse propósito estaria restrito unicamente ao fato de cada um de nós desfrutarmos do Reino na terra e, no futuro, no céu.
Deus foi muito mais além do que eu e você podemos imaginar. Seu infinito amor e seu profundo desejo de comunhão com o Homem levaram o Senhor a permitir que nós tenhamos participação na propagação do Reino e suas leis.
Quando lemos Mc 16.15 e Mt 28.19,20, encontramos mais que a expressa determinação do Senhor para que evangelizemos, ensinemos e batizemos pessoas: vemos o prazer divino de ter em cada um de nós um parceiro, um companheiro de jornada, alguém que está na trincheira ao seu lado, um com quem Ele pode contar.
O Senhor não olhou apenas para nós como miseráveis necessitados da salvação, mas também como criaturas que transformadas, capacitadas e orientadas por Ele, tornar-se-iam colaboradores preciosos e instrumentos de valor na edificação e propagação do Reino. Portanto, nós temos potencial, nós fomos chamados por Ele para edificar e difundir o Reino.
Deus quis nos presentear com a alegria de trabalharmos para o Reino, sabendo que estamos trabalhando com Ele, por Ele e para Ele. Daí, podemos dizer que nosso trabalho para o Senhor é um privilégio, uma dádiva divina, que muitos outros não podem ou não querem desfrutar.
Mas a grande questão é: qual o propósito do Reino e quais são as tarefas com as quais eu devo me comprometer?
Primeiro, é preciso entender o propósito do Reino. Na verdade, o grande e principal propósito do Reino é reconduzir a humanidade caída e pecadora, à comunhão eterna com Deus, por meio de Jesus Cristo, nosso Senhor.
O homem é alvo do amor divino e este amor, de uma intensidade desconhecida para nós, chegou ao ponto do próprio Deus oferecer seu filho sobre uma cruz para nos resgatar (Jo 3.16; Rm 5.8). Jesus foi imolado como cordeiro sacrificial, para que o preço do pecado humano fosse pago. E essa verdade precisa ser anunciada aos homens sem paz, sem esperança, distantes de Deus.
A humanidade precisa ter consciência acerca do pecado no qual tem vivido, da condenação reservada aos que vivem nesse estado de pecado e da obra de justiça que Deus operou para que cada homem possa ser perdoado e reconciliado com Ele. Esta necessidade humana nos leva ao primeiro compromisso com os propósitos do Reino: o anúncio do Reino de Deus, ou seja, a evangelização.
Mas evangelizar não é unicamente um anúncio sobre a salvação: é apresentar a verdade de forma que as pessoas possam refletir e reconhecer os pecados que têmc cometido; é uma convocação para que as pessoas arrependam-se, abandonem o sistema pecaminoso de vida do mundo e voltem-se para Deus.
Evangelizar não é uma tarefa que se restringe à entrega de um folheto, em pregações bem elaboradas, em discursos bonitos ou em demonstrações de poder. Eu preciso mostrar às pessoas que aquilo eu prego, faz parte da minha vida, isto é, a Palavra anunciada deve ser uma realidade no meu cotidiano.
Ninguém vai crer na realidade do Reino de paz, justiça, alegria, esperança, se eu for contencioso, injusto, triste, desalentado, murmurador, desatento com a cidadania e com a necessidade do meu próximo. E aí eu vou cair em tudo aquilo que já foi dito sobre o Reino, meu compromisso com o Senhor e a ética do Reino.
É importante perceber que uma coisa depende da outra: se o Reino não estiver presente em mim, se eu não viver de acordo com seus princípios, será impossível convencer aos outros quanto à sua realidade e ao que eu estou pregando.
Entregar folheto e dizer que Jesus ama, salva e transforma o homem é fácil. Mas será que as pessoas irão querer ser como alguns daqueles que estão pregando para elas?
Que tipo de Evangelho você e eu estamos apresentado à pessoas com a nossa vida? Será que nós estamos atraindo as pessoas a Cristo?
O compromisso de anunciar o Reino envolve a recomendação do Senhor em Mt 5.13,14, que sejamos sal e luz para esse mundo e isso não diz respeito a somente pregar. Diz respeito ao tipo de cristão que somos.
O segundo compromisso que precisamos assumir com os propósitos do Reino é tornar conhecidas as leis que regem o Reino de Deus. Isso implica em praticar o que está em Mt 28.19,20:

“Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a observar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos.”

A expressão “fazer discípulos” que Jesus empregou nesta passagem, representa que nós temos uma responsabilidade muito maior do que podemos imaginar: significa que eu e você devemos fazer com aqueles que se decidem por Ele, o mesmo que foi feito com Pedro, João, Tiago e os outros nove discípulos.
O Senhor enfatiza que temos que ensiná-los a observar todas as coisas que Ele determinou, ou seja, ensinar as pessoas a viver como Ele nos disse que deveríamos viver. Na verdade o que Jesus estava nos dizendo é algo do tipo: “peguem essas pessoas e eduquem-nas segundo a lei do Reino, ensinem a elas como serem cidadãos do Reino.”
E a Educação possui quatro pilares fundamentais:
- Aprender a aprender – precisamos aprender a ouvir a voz do Senhor, a guardar seus mandamentos e a buscá-Lo por nós mesmos.

“Faze-me saber os teus caminhos, Senhor; ensina-me as tuas veredas. Guia-me na tua verdade, e ensina-me; pois tu és o Deus da minha salvação; por ti espero o dia todo. (Sl 25.4,5)

- Aprender a fazer – precisamos aprender a cumprir aquilo que o Senhor determinou, como foi determinado e no tempo estabelecido.

“Ensina-me a fazer a tua vontade, pois tu és o meu Deus; guie-me o teu bom Espírito por terreno plano.” (Sl 143.10)

- Aprender a conviver – precisamos aprender a estabelecer uma relação de amor, fraternidade, serviço, perdão e paz com os demais integrantes do Reino.

“Revestí-vos, pois, como eleitos de Deus, santos e amados, de coração compassivo, de benignidade, humildade, mansidão, longanimidade, suportando-vos e perdoando-vos uns aos outros, se alguém tiver queixa contra outro; assim como o Senhor vos perdoou, assim fazei vós também. E, sobre tudo isto, revestí-vos do amor, que é o vínculo da perfeição. E a paz de Cristo, para a qual também fostes chamados em um corpo, domine em vossos corações; e sede agradecidos. A palavra de Cristo habite em vós ricamente, em toda a sabedoria; ensinai-vos e admoestai-vos uns aos outros, com salmos, hinos e cânticos espirituais, louvando a Deus com gratidão em vossos corações.(Cl 3.12-16)

- Aprender a ser – precisamos aprender a permitir que Ele molde em nós seu caráter, que forje em nós verdadeiros filhos de Deus, sacerdotes do Reino.

“Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé no filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim.” (Gl 2.20)

“Vós também, quais pedras vivas, sois edificados como casa espiritual para serdes sacerdócio santo, a fim de oferecerdes sacrifícios espirituais, aceitáveis a Deus por Jesus Cristo [...] Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as grandezas daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz” (1 Pe 2.5,9)

Mais uma vez ressalta–se a importância do testemunho pessoal no compromisso com os propósitos do Reino: como discipular pessoas segundo os princípios divinos, se não pudermos ser o exemplo vivo do qual necessitam?
Precisamos lembrar que uma criança sempre procura imitar a conduta daqueles que a educam. Somos um referencial visível de Cristo para aqueles que chegam à igreja? Podemos cobrar dessas pessoas que sejam aprovadas no Senhor, se nosso exemplo como discipuladores deixa a desejar?


CONCLUSÃO

Em toda a história, o propósito divino de resgatar a humanidade caída incluiu o próprio homem no processo de sua restauração.
Mesmo quando Jesus pagou o preço pelo pecado da humanidade:
- estava em um corpo humano;
- verteu sangue puro, porém humano;
- morreu fisicamente, como qualquer humano.
Eu e você fomos chamados para viver segundo os princípios do Reino e para estarmos compromissados com o Senhor do Reino. E este compromisso envolve testificar acerca do Reino e motivar a submissão de outros ao Senhor.
Que tipo de Cristianismo estamos apresentando às pessoas? Será que minha vida, minhas atitudes, minhas palavras têm estimulado aos meus familiares, vizinhos, amigos, colegas de trabalho e de escola, a desejar um encontro com o Senhor e integrar o seu Reino?
Que o nosso compromisso com Ele seja palpável aos olhos do mundo, que a força de nossas ações testifiquem o amor e o poder transformador de Cristo, que a essência de sua presença acompanhe nossos passos, para que todos saibam e creiam que só o Senhor é Deus.

Um comentário:

Unknown disse...

EXCELENTE REFLEXÃO. QUE O SENHOR JESUS CONTINUE A ABENÇOAR SUA VIDA E MINISTÉRIO.